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| Delegado Jairo Façanha Pequeno, diretor do DPE,
explica que a reincidência tem sido um dos principais fatores do aumento de
procedimentos FOTO: JOSÉ LEOMAR |
Somente em cinco meses, mais de mil procedimentos foram lavrados por
tráfico, roubos e assassinatos
O número de atos infracionais
cometidos por menores, somente nos cinco primeiros meses deste ano, está
deixando as autoridades policiais preocupadas. Do dia 1º de janeiro até o último
dia 8, a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) lavrou, nada menos, que
1.400 procedimentos, sendo 1.111 autos de apreensão em flagrante.
Delegado Jairo Façanha Pequeno, diretor do DPE,
explica que a reincidência tem sido um dos principais fatores do aumento de
procedimentos FOTO: JOSÉ LEOMAR
Apesar de os atos infracionais terem
aumentado, a parceria entre policiais civis e militares é responsável pelo
grande número de apreensões de adolescentes , que cada vez mais estão a serviço
de bandidos adultos.
Segundo o diretor do Departamento de Polícia
Metropolitana (DPE), Jairo Façanha Pequeno, as punições brandas do Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA) servem de estímulos para que os menores, cada vez
mais, procurem ´trabalho´ no crime organizado.
Melhor
estrutura
A DCA tem como titular a delegada Iolanda Fonseca. A
Especializada tem ainda quatro delegados plantonistas.
Jairo Pequeno diz
que o efetivo é insuficiente para dar um combate mais efetivo aos atos
infracionais, entretanto, conversou com o delegado geral da Polícia Civil, Luiz
Carlos Dantas, e recebeu a promessa que o número de policiais na Especializada
aumentará, com as nomeações dos concursados.
No mesmo período, 293 armas
de fogo foram apreendidas em poder de menores. Os policiais militares e civis
apreenderam ainda 2,7 quilos de maconha, 7.193 papelotes de cocaína, 430
comprimidos psicotrópicos e mais de 7,7quilos de pedras de crack.
Dos
flagrantes lavrados, foram 70 por homicídio, 490 por roubo, 188 por porte ilegal
de arma e 240 por tráfico de drogas. No primeiros cinco meses deste ano, as
equipes da DCA cumpriram 93 mandados de apreensão. "Com relação aos homicídios,
o detalhe é que muitas vítimas desses garotos eram menores também", salientou o
diretor do DPE, acrescentando a maioria dos casos tem relação com o tráfico de
drogas.
Assaltos, assassinatos, tráfico de drogas, ameaças
e furtos são as principais ocorrências policiais que envolvem garotos com idade
entre 1 e 18 anos incompletos. A Polícia tem atuado de forma rigorosa, mas logo
eles estão soltos Foto: KIKO SILVA
Jairo Pequeno informou que será
criada uma força-tarefa para cumprir vários mandados de apreensão. "Esse tipo de
procedimento só pode ser feito pelas equipes da DCA", frisou o diretor do DPE.
Para ele, a punição deveria ser mais rigorosa, pois desestimularia os atos
infracionais cometidos pelos adolescentes.
O diretor do DPE ressalta
ainda que a população vive intranquila com os atos infracionais cometidos por
esses garotos, pois, mesmo que sejam apreendidos, dentro de pouco tempo estão de
volta às ruas, cometendo mais delitos. "A reincidência é muito alta, mas a
Justiça não pode deixar de fazer valer a lei", ressaltou o delegado.
Além
dos homicídios, outros atos infracionais cometidos são assaltos a transporte
coletivo, furtos, principalmente arrombamentos de estabelecimentos comerciais e
tráfico de drogas.
Jairo Pequeno opina que, devido à situação quase
insustentável, o ECA deverá passar por uma reforma em breve. O delegado salienta
que o Poder Público deve intensificar as ações que permitam às crianças e aos
adolescentes oportunidades de lazer, escola em tempo integral com cursos
profissionalizantes. Para ele, esse tipo de ação faz com que o trabalho
repressivo seja menor.
Mortes
Também são os
adolescentes junto com os jovens os maiores ´alvos´ dos crimes de execução
sumária em todo o Pais.
Na Grande Fortaleza, a situação não é diferente.
Garotos com idades de 12 aos 18 anos incompletos se transformam em devedores do
tráfico e acabam pagando com a própria vida esta dívida. A maioria dos crimes
ocorre nos bairros periféricos da Capital e na Região Metropolitana.
Foi
o que aconteceu, por exemplo, na noite do último dia 3, quando a adolescente
Karina Sirlene de Sousa Lima, 14; e o jovem Eduardo Pinheiro da Silva, 18, foram
mortos em plena Praia de Iracema.
Conforme as primeiras investigações, os
jovens foram executados por ordem de um traficante que vinha controlando o
tráfico de drogas na Barra do Ceará. O caso está sendo apurado pela Divisão de
Homicídios.
Fonte: DN
Blog da Força Tática