No dia 29 de março de 2008, quem
ligou para a polícia foi o morador do primeiro andar do edifício London
relatando que uma criança havia caído pela janela do prédio. A morte da
menina Isabella Nardoni se tornou um caso de grande comoção nacional.
No dia 27 de março de 2010 o
casal foi condenado pelo júri pela morte da criança. Alexandre Nardoni, o
pai, recebeu pena de 31 anos em regime fechado, e a madrasta, Anna
Carolina Jatobá, de 26 anos e oito meses. Além disso, os dois foram
condenados a outros oito meses de prisão em regime semiaberto por fraude
processual.
Na
rua onde o crime aconteceu os moradores relatam que, ainda hoje, as
pessoas passam gritando em frente ao prédio. "De vez em quando para um
carro e alguém grita lá em frente", diz o funcionário público Luis
Carlos Alves, 56 anos, que mora próximo ao edifício London.
"Fica a tristeza pelo que
aconteceu com a menina, abalou os moradores do prédio, abalou a todos,
mas infelizmente a menina se foi", disse o morador, considerando que a
Justiça foi feita, "só que o mais importante foi o que aconteceu com
ela, o que ela sofreu", lamenta.
Os telefones dos pais de
Alexandre Nardoni e da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, já não
são mais os mesmos. Na sua suposta página do Facebook dela, é possivel
ver apenas uma foto com a filha em uma piscina.
Apesar do sentimento da
população com o desfecho que o caso teve, o advogado de defesa diz que
foram apresentados dois recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e
um no Supremo Tribunal Federal (STF).
No pedido de anulação de júri
feito ao STF, a defesa argumenta que a proibição judicial de
televisionar o julgamento prejudicou a defesa, porque a repercussão do
caso na mídia teria gerado um pré-julgamento do casal.
"No Supremo a gente disputa a
impossibilidade de um processo com resultado diferente do que foi. O
processo impossibilitava a forma de se ter um julgamento justo,
portanto, não teria sentido o júri acontecer da forma como aconteceu, o
resultado não poderia ser outro", argumenta Podval.
"Tivemos uma defesa
impossibilitada de ser exercida com sucesso em função do pré-julgamento
nacional. Por isso, defendi que a alternativa de permitir publicidade à
defesa poderia aliviar um pouco o peso dos jurados", explicou.
O promotor do caso Isabella,
Francisco José Cembranelli, diz que casos de repercussão semelhante como
o do jornalista Pimenta Neves (condenado pela morte de Sandra Gomide,
em 2006) da estudante Suzane Von Richthofen (condenada pela morte dos
pais em 2006) e do assassino do seringueiro Chico Mendes (Darly Alves da
Silva, condenado em 1988) não foram televisionados, e nem por isso
tiveram seus júris anulados.
"É mais um recurso absurdo que é
colocado pela defesa dos Nardoni e que deve cair como caíram todos os
outros em âmbito local", afirma o promotor.
Eternidade
Sobre
a possibilidade de conseguir progressão de pena para regime semiaberto,
que é concedido após o condenado cumprir um sexto da pena, Podval diz
que esse cálculo ainda nem foi feito.
"Eles ainda vão ficar lá uma
eternidade, como é cada dia em uma prisão, mas a gente ainda não está
pensando nisso, estamos pensando no sucesso dos recursos para dar uma
solução diferente para o caso".
Atualmente, Podval, a estratégia
da defesa é anular o júri, obter o processo para formação de um novo
júri, além da nulidade do que foi feito em função da impossibilidade de
defesa, a absolvição, ou então, a redução da pena.
"É um caso muito peculiar em virtude da tamanha publicidade que teve, mas a gente acredita na possibilidade de sucesso".