Às vésperas da operação na Favela da Rocinha,
na Zona Sul do Rio, a Marinha revelou que vai colocar em ação 194
fuzileiros navais e 18 veículos blindados na ocupação. O efetivo é o
maior já utilizado em ações nas comunidades, segundo a Marinha.
Na primeira parceria da Marinha com a Polícia, no Complexo do Alemão,
foram deslocados 127 combatentes. De acordo com o capitão de mar e
guerra Yerson de Oliveira Neto, que irá comandar a operação deste
domingo, a Marinha teve mais tempo para planejar essa operação.
"No Alemão, tivemos que agir rápido. Não tivemos tempo para nos
preparar como agora. Aprendemos muito com aquela operação. O terreno lá
também era mais complicado. Estamos preparados para o combate, a guerra.
Achamos que pode acontecer o pior", disse o oficial.
A Marinha empregará três tipos de veículos blindados: sete Lagarta
Anfíbios, carros que transportam 25 homens e pesam 22 toneladas; seis
M113, com capacidade para 13 militares e peso de 18 toneladas; quatro
Piranhas, viaturas sobre rodas e de fabricação suíça e um veículo para
transporte de diversos materiais.
“Todos os carros têm blindagem igual, mas exercem funções diferentes.
Vou usá-los em ações simultâneas, que vão causar um ambiente de
desordem. Os blindados nos dão proteção, rapidez, ação de choque e
mobilidade”, afirmou Yerson de Oliveira Neto.
Essa é a quarta operação da Marinha em conjunto com a Secretaria de
Segurança Pública do Rio. A primeira ação aconteceu no Complexo do
Alemão. Em seguida, no Morro da Mineira e São Carlos e, por último, na
Mangueira.
“Vamos ter um cuidado extremo com a população. Não queremos oferecer
danos à sociedade. No Alemão, tivemos muitos obstáculos e carros de
civis no acesso. Agora, que as pessoas deixem as vias livres porque nós
vamos chegar. O trajeto onde transitam os ônibus pode nos facilitar”,
alertou o capitão.
De acordo com o oficial, a prisão do traficante Nem não teve impacto no planejamento da Marinha.
“Não muda nada. Só nos dá um pouco mais de informações. Fizemos
reuniões com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o Batalhão de
Choque. Tivemos que ter uma preparação toda especial para atuar no meio
urbano”, ponderou, lembrando que a MB já havia feito imagens aéreas da
região antes mesmo da prisão do bandido.
Yerson de Oliveira Neto garantiu que os coletes utilizados pelos
militares são os mesmo empregados na missão de paz no Haiti, ou seja, só
não suportam tiros de mísseis. Armamento que, segundo o oficial, ainda
não chegaram às mãos dos traficantes da Rocinha.
“Usamos o que há de mais moderno. O colete é feito de polietileno e tem
proteção nível 3. Aguenta tiros de pistola 9mm, magnum 44 e fuzil. A
Marinha nasceu para consolidar a independência do Brasil, mas em tempos
de paz podemos ter outras funções”, garantiu.
Acessos bloqueadosA
Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou que os
principais acessos às comunidades de Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu,
na Zona Sul do Rio, serão bloqueados pela Polícia Militar,
com apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego da Prefeitura (CET-Rio)
e da Guarda Municipal, a partir das 2h30 de domingo (12). Serão
fechadas a Autoestrada Lagoa-Barra (nos dois sentidos), Avenida
Niemeyer, Estrada do Joá, Rua Marquês de São Vicente e a Estrada das
Canoas.
Fonte: G1
Blog da Força Tática