A Tropa de Choque da Polícia Militar já havia retirado todos os
estudantes do prédio da reitoria da USP (Universidade de São Paulo), no
campus da zona oeste de São Paulo, por volta das 7h20 desta terça-feira
(8). No total, 70 alunos foram detidos por se recusaram a sair do imóvel
mesmo após a determinação da Justiça. Eles estavam acampados no local
desde a quarta-feira (2), em protesto contra a presença da PM na área da
universidade.
Todos os detidos - 24 mulheres e 46 homens - foram levados para o 91º
Distrito Policial em dois ônibus. Antes, eles passaram por uma revista,
na qual, segundo a polícia, não foram encontradas armas nem drogas. De
acordo com a coronel Maria Aparecida Carvalho Yamamoto, a polícia já
constatou que houve danos ao patrimônio público, mas o prejuízo ainda
não foi avaliado.
Após o esvaziamento do prédio, a perícia deve vistoriar o local e a Tropa de Choque deve sair do campus.
Uma viatura foi apedrejada no início da reintegração de posse. Cerca de 400 homens da polícia participaram da ação.
O oficial de Justiça Valdemir Leme assinou uma certidão de entrega do
imóvel para um representante da universidade, Anderson Campos, da
assessoria do gabinete do reitor. Agora, o oficial vai certificar as
condições do prédio.
Agressão
Durante a madrugada, alguns dos estudantes agrediram os profissionais
da imprensa que acompanhavam a invasão do prédio. Uma pedra foi
arremessada contra a câmera do cinegrafista Marcos Vinícius, do SBT, e
atingiu de raspão a cabeça de Fábio Fernandes, cinegrafista da TV
Record. Ainda no empurra-empurra, o cinegrafista Alexandre Borba, também
da TV Record, teve a alça da câmera puxada, causando a queda do
equipamento.
O fotógrafo Cristiano Novaes, da agência CPN, foi agredido a chutes e
teve a máquina tomada pelos invasores, que resolveram devolvê-la
posteriormente ao repórter fotográfico. A confusão teve início durante
uma discussão entre os jornalistas e os invasores do prédio.
Assim que a poeira abaixou um pouco, um dos estudantes, que se
identificou como Eduardo, disse que repudiava a atitude dos agressores e
que aquilo não representava o posicionamento do movimento em relação à
imprensa.
Em nota divulgada no início desta madrugada, o Diretório Central dos
Estudantes (DCE) afirmou que "a presença da PM não garante a segurança
na universidade".
No comunicado, o DCE também afirma: "Não é de hoje que temos propostas
para um outro plano de segurança dos campi da USP: aumento da circulação
de pessoas e integração da universidade com a sociedade (contra a
"catracalização"), maior iluminação, aumento dos ônibus circulares, uma
Guarda Universitária preventiva, gerenciada pela comunidade, com
treinamento voltado para os Direitos Humanos e aumento do seu efetivo,
principalmente feminino".
Os estudantes, ainda segundo a nota do DCE, deveriam realizar um ato às
12h desta terça-feira em frente à reitoria, quando seria protocolado um
ofício pedindo a revogação imediata do convênio USP/PM e a implantação
de medidas de curto e médio prazos de segurança nos campi. No mesmo
ofício, seria requisitada a presença do reitor João Grandino Rodas na
audiência pública convocada pelo DCE para o dia 16, quando devem ser
debatidas as medidas de segurança tomadas pela reitoria e as propostas
do movimento estudantil.
Até as 7h30, após a reintegração, o DCE ainda não havia confirmado se a manifestação marcada para às 12h deveria ocorrer.
Entenda o caso:
A ocupação foi feita por um grupo de alunos, por volta da 0h30 de
quarta-feira (2), após assembleia que determinou o fim da ocupação do
prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências
Humanas), que era ocupado em protesto contra a prisão de três alunos
que foram pegos com maconha no campus.
As principais reivindicações dos manifestantes que invadiram a reitoria
são a suspensão do contrato entre a universidade e a SSP (Secretaria de
Segurança Pública) - que aumentou o efetivo da Polícia Militar no campus
- e a anulação dos processos administrativos que alunos e funcionários
sofrem desde outros protestos.
Fonte: R7
Blog da Força Tática
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