Sábado,
por volta das 21h, meus companheiros e eu fazíamos o patrulhamento na zona
norte de Natal quando recebemos a ligação de um PM informando que estava
havendo uma troca de tiros em Felipe Camarão.
Foi
quando fomos convocados pelo oficial de serviço da Cia a irmos até lá. Então
saímos de lá a VTR do oficial, meu trio e uma VTR Patamo do BPChoque nos
apoiando.
Nós
Rocanianos nunca negamos apoio a um campanha, mais não sei por que, não estava
me sentindo pra ir nessa ocorrência, até mesmo porque não era diretamente com o
policial. Mas como falei, nunca nos negamos a ir e fomos em deslocamento.
Estávamos
reunidos próximo a agencia da Caixa Econômica da Av. Dr. João Medeiros Filho e
logo saímos em direção a zona oeste.
Ao
começar a descer a entrada do túnel do viaduto de igapó já próximo aos 90 km/h
resolvi baixar a viseira do capacete como se algo me pedisse isso.
Depois
disso, poucos metros à frente ao entrar no túnel, sem motivo aparente o pneu
traseiro da moto durante a curva deslizou e não tive mais como controlar o
veículo. Fui ao chão a quase 100 km/h.
Meu corpo
saiu deslizando por todo o túnel e como estava com o capacete fechado, fui
vendo tudo que acontecia nesse percurso, só não havia como parar meu corpo.
Nesses segundos que pareciam horas eu só tentava me manter no chão em uma única
posição, acho eu, que com medo de sair dando rolamentos e com isso quebrar
algum osso.
Só parei
de deslizar já próximo a saída do túnel, um percurso total de aproximadamente
30 metros, segundo as testemunhas do ocorrido.
Eu via
muita faísca de ferro raspando o chão, alguns vindos da motocicleta e outros da
minha arma que se encontrava na parte frontal do colete tático e como estava de
bruços, acho que essa arma me ajudou muito a não me machucar mais. Além da
arma, os coletes, tático e balístico, e s demais equipamentos me protegeram de
mais escoriação e talvez até de fraturas diversas.
Mesmo
preocupado e como estaria meu corpo ali, eu só ouvia cantada de pneus vindos de
outros veículos que se deslocavam na mesma direção que eu, entre eles, meu
companheiro que estava como terceiro homem e a VTR Patamo do BPChoque que com
muita habilidade e percepção conseguiu evitar de passar por cima de mim.
O
terceiro rocaniano mesmo com muita agilidade não conseguiu o mesmo. A moto dele
se chocou com meu corpo joga ao chão e ele ficou sobre mim.
Assim que
tudo parou de mexer comecei a sentir meu corpo e ainda deitado fui tentando ver
o que havia quebrado em mim, pois pela velocidade que víamos, mesmo que não
tenha colidido com a parede, eu tinha certeza que havia fraturas em algum
lugar. Mas pra minha surpresa, só o que doía e muito era meu braço esquerdo,
mais precisamente a altura do cotovelo e também minha perna esquerda que além
de doer, sentia ambos queimando muito. Ainda fiz uma queimadura de segundo grau
no antebraço ao tocar na pistola que estava no colete e que ainda estava como
brasas.
Os
Choquianos que vinham na retaguarda do comboio desceram rapidamente e foram ver
como eu estava e ajudaram a tirar meu companheiro de cima de mim já que ele
estava com sua perna presa a sua moto.
Mesmo com
todo esse susto, até estava tudo aparentemente bem, até que então após diversas
ligações para a SAMU, todos foram informados que os mesmo estavam em GREVE e
que não havia nenhuma ambulância para mandar ao local. Foi quando eu que estava
bem consciente lembrei aos campanhas que ligassem para o Corpo de Bombeiros e
foi assim que fui socorrido ao Hospital Clóves Sarinho. Enquanto aguardava o
resgate senti muito frio, tanto que meu queixo batia e meu corpo tremia muito.
Segundo o socorrista que lá estava a me ajudar, minha temperatura tinha caído
muito e possivelmente eu poderia está entrando em estado de choque, na mesma
hora um cidadão que perto do local, conseguiu diversos lençóis para que me
cobrissem e assim mantivesse minha temperatura o mais próximo do normal. Até
surgiu o informe que eu poderia está morto, porque quem passava pelo local e
avistava aquela imagem logo pensava o pior.
No local
quem mais ajudou tecnicamente foi o popular com curso de socorrista de nome
Max, que até então nunca havia visto na vida e que ficou conosco até a chegada
do Resgate.
Após
vários exames no pronto socorro foi constatado que não havia fratura alguma em
mim, só mesmo as raladuras no braço e perna esquerda e uma luxação no cotovelo
esquerdo que é o que mais me perturba hoje.
Agradeço
a todo instante a Deus por cada dor que estou sentindo, porque mais uma vez
tive a prova real que ele existe e estava me conduzindo até o fim.
Agradeço
também aos que ficaram ao meu lado o tempo todo do local do acidente até minha
saída do hospital, aos que mandaram mensagens e que me ligaram todo tempo,
mostrando que tenho amigos que se preocupam comigo e que me dão força nas horas
mais necessitadas.
Gostei da
atitude do Cb Jeoás de ter ido ao local ver o que realmente aconteceu e em
seguida ao hospital ver meu estado de saúde, como a ligação da Dra. Kátia Nunes
logo após minha chegada em casa.
Eu queria
informar a todos espontaneamente que ao contrário do que falaram por aí, o
acidente não proveniente das más condições da minha moto não. Essa fatalidade
foi ocasionada devido a muita areia que havia no chão próximo a curva do túnel.
Mais uma
vez quero deixar aqui meu agradecimento a nosso pai todo poderoso pelo
livramento que tive e aos amigos que de alguma forma se preocupou comigo e
ainda me dá forças.
Fonte: Guerreiros do RN